Abril: a liberdade que atravessa o Atlântico
a véspera de 25 de Abril, a Associação Portugal Brasil 200 anos celebra a Revolução dos Cravos como um marco da democracia portuguesa e como parte da memória comum dos povos que vivem, criam e pensam em língua portuguesa.
Em 25 de abril de 1974, Portugal abriu uma porta que ainda hoje continua a dar passagem ao futuro. A Revolução dos Cravos pôs fim ao Estado Novo, iniciou a construção democrática portuguesa e abriu caminho para a resolução da guerra colonial e para novas relações entre Portugal, África, Brasil e o mundo de língua portuguesa.
Mais do que uma data nacional portuguesa, Abril tornou-se uma referência ética da cidadania: a ideia de que a liberdade pode nascer também de um gesto simples, de uma canção, de uma flor, de uma palavra dita no momento certo. O cravo, colocado nas armas dos soldados, transformou-se no símbolo de uma revolução que escolheu a vida contra o medo.
Para a Associação Portugal Brasil 200 anos, recordar Abril é também pensar a língua portuguesa como território partilhado. A democracia ampliou a circulação de pessoas, livros, ideias, universidades, artistas e projetos culturais entre os dois lados do Atlântico. Sem liberdade, a língua empobrece. Com liberdade, ela torna-se casa comum, lugar de encontro e instrumento de futuro.
Neste 24 de abril, véspera da celebração, a memória dos Cravos convida a uma responsabilidade: defender a democracia não como peça de museu, mas como prática diária. Abril não pertence apenas ao passado português. Pertence a todos os que acreditam que a cultura, a palavra e a cidadania podem aproximar povos, reparar histórias e abrir novos caminhos para a comunidade lusófona.

