Esta Língua que Nos Une
Comemorações do Dia Mundial da Língua Portuguesa
A Curadoria em Palavras
Esta Língua que Nos Une é, antes de tudo, uma convocação: reunir, no Porto, no Dia Mundial da Língua Portuguesa, vozes do Brasil e de Portugal para afirmar que uma língua não é apenas um sistema de palavras, mas uma forma de pertença, memória, criação e futuro. A língua portuguesa surge aqui não como herança parada, mas como território em movimento: que atravessa o atlântico unindo os diversos sotaques da comunidade lusófona no ceio de uma Cidadania Linguística comum.
A curadoria parte de uma ideia central: a língua só permanece viva quando aceita ser habitada por muitos. Por isso, o programa foi concebido como um percurso completo — da abertura institucional ao debate literário, da experiência pedagógica ao convívio, da reflexão sobre passado, presente e futuro ao gesto simbólico da leitura coletiva de Os Lusíadas, culminando num recital poético que devolve à palavra a sua dimensão oral, musical e comunitária.
As três mesas literárias estruturam o pensamento do encontro: primeiro, a língua em estado de invenção; depois, o corpo, a memória e a travessia; por fim, a poesia como lugar onde o português ainda arrisca o futuro. A elas se soma o projeto Mundo da Lusofonia, desenvolvido com a Escola Básica da Costa da Caparica e a UCCLA, que desloca a língua para o campo da educação, da cidadania global e da cooperação entre crianças, professores e comunidades de Portugal, Cabo Verde e Brasil.
O momento mais simbólico do dia será o lançamento da Leitura Coletiva Global de Os Lusíadas, no âmbito do projeto Todos Somos Camões, Camões Somos Todos Nós. Cada voz convidada a ler uma estrofe transforma Camões em território partilhado: já não apenas património de uma nação ou de um tempo, mas poema aberto às pronúncias, geografias e reinvenções de todos os que pensam, falam e sonham em português.
O recital de José Inácio Vieira de Melo encerra o encontro como rito de celebração. Depois da reflexão, a voz. Depois da mesa, o corpo. Depois da ideia, o poema. Porque esta língua que nos une não vive apenas nos livros, nas academias ou nas instituições: vive quando é dita, escutada, cantada, ensinada, discutida e reinventada.
Este não é apenas um evento literário. É uma assembleia sensível da língua portuguesa. Um centro de escuta em movimento. Uma travessia entre passado, presente e futuro. Uma forma de dizer que a língua portuguesa pertence menos aos seus guardiões oficiais do que aos seus falantes reais — aos que a herdaram, aos que a atravessaram, aos que nela chegaram e aos que continuam a fazer dela uma possibilidade de mundo.
programa
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A sessão inaugural reúne vozes institucionais comprometidas com a promoção da língua portuguesa e da cooperação cultural lusófona.
Intervenções de Abertura
A sessão inaugural conta com a personalidades que representam instituições comprometidas com a promoção da língua e da cooperação cultural lusófona:
Teresa Leitão, Senadora BR
Luís Álvaro Campos Ferreira, Secretário executivo UCCLA
José Manuel Diogo, presidente APBRA
Pedro Duarte , Presidente Câmara Porto
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Como a literatura liberta a língua dos seus donos imaginários?
Uma conversa entre Brasil e Portugal sobre a língua como criação viva: norma, desvio, humor, literatura, modernismo, oralidade e identidade.
Participantes: Sérgio Rodrigues, Arnaldo Saraiva
Moderação: José Manuel Diogo -
O projeto "Mundo da Lusofonia" tem a parceria pedagógica da UCCLA, que colabora no intercâmbio escolar e na criação e dinamização de oficinas com as crianças e professores, num percurso de ações estruturantes de Educação para a Cidadania Global.
Participantes: Bruno Coimbra e Helena Silva, Professores do Agrupamento de Escolas da Costa da Caparica, e a embaixadora Paula Leal Silva e a coordenadora da área social, Princesa Peixoto, da UCCLA.
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Um momento de pausa e convívio entre escritores, moderadores, convidados institucionais e participantes. O almoço é também um espaço informal de encontro entre as vozes do Brasil e de Portugal — onde muitas das ideias debatidas nas mesas encontram continuidade em conversa livre, criando laços que alimentam a cooperação cultural lusófona.
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Como a literatura registra essas passagens corpos que atravessam países, afetos e imagens?
Uma mesa sobre deslocamento, intimidade, identidade e imagem.
Participantes: Álvaro Filho, Inês Pedrosa
Moderação: Angela Berlinde -
A poesia como lugar onde a língua portuguesa ainda arrisca o futuro
Uma mesa sobre a língua portuguesa como instrumento de mundo.
Participantes: José Gardeazabal, José Inácio Vieira de Melo
Moderação: Maria Bochicchio -
Apresentação formal do projeto internacional de leitura coletiva de Os Lusíadas. Concebido pela Associação Portugal Brasil 200 anos, o projeto convoca leitores de todo o mundo lusófono a partilhar, em voz alta e em diferentes línguas e sotaques, o poema que fundou a identidade portuguesa.
Cada convidado presente no evento lerá uma estrofe de Camões — um ato simples e poderoso que inaugura simbolicamente a leitura coletiva internacional.É um ritual que afirma que Os Lusíadas não pertencem a uma nação ou a um tempo, mas a todos os que falam, pensam e sonham em português.
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Recital de poesia com José Inácio Vieira de Melo
O renomado poeta e ator baiano José Inácio presenteia o público com um recital envolvente, celebrando a musicalidade e a profundidade da língua portuguesa.
Em uma performance que transborda emoção, ele conduzirá os presentes por uma viagem literária através de textos clássicos e contemporâneos, ressaltando a diversidade e a força da expressão lusófona. Uma homenagem vibrante à palavra.
Serviço
Evento: Esta Língua que Nos Une
Data: 5 de maio
Local: Centro Português de Fotografia, Largo Amor de Perdição, 4050-008 Porto, Portugal
Organização: Associação Portugal Brasil 200 anos (APBRA) e UCCLA — União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa
Apoio: Consulado Geral do Brasil no Porto, Instituto Guimarães Rosa, Direção Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, Centro Português de Fotografia e Hotel Vila Galé do Porto

