O Jardim Botânico de Beaurepaire Rohan

No tempo do governo de Beaurepaire Rohan (1857-1859), o estado elaborou um projeto que previa a construção de um Jardim Botânico na cidade da Parahyba (atual João Pessoa).

Rua Beaurepaire Rohan na década de 1930. Ainda como rua Formosa, deveria servir de marco ao Jardim Botânico | Acervo do autor

A intenção era criar um espaço de arborização e cultivo, mas também um núcleo de formação prática em agricultura. O alvo maior do núcleo seriam os meninos pobres, que teriam alojamento, vestuário, alimentação e até alguma remuneração, numa área da cidade que tinha feição quase rural.

O espaço seria delimitado pelas atuais ruas da República e Silva Jardim, ao sul e ao norte, respectivamente; e as ruas General Osório (expandida) e Beaurepaire Rohan, por sua vez, a leste e oeste. Dessa maneira, uma área contígua à parte de trás do Palácio do Governo.

A zona reservada ao empreendimento era ampla e fazia parte de uma intervenção urbana de maior escala, ligada ao esforço de abertura, alinhamento e racionalização de vias na capital, segundo as pretensões do governo.

O terreno chegou a ser destocado, lavrado e preparado em parte para receber o arvoredo e demais vegetais. A ideia, que terminou não vingando, combinava espécies de valor paisagístico com a intenção de introduzir novas plantas e técnicas de cultivo.

Em seu curto período de governo, porém, Beaurepaire Rohan cartografou e inventariou a capital da província, evidenciando o planejamento urbano. Nesse sentido, alinhou, nivelou, abriu ruas e embelezou logradouros.

Ainda por cima, criou o Colégio Nossa Senhora das Neves para as moças visando “ampliar o horizonte feminino para além do oratório, da sala de jantar e da cozinha”. Lembrando que, então, as mulheres eram praticamente impedidas de estudar.

Não é exagerado considerar Beaurepaire Rohan entre os melhores governantes do período imperial, na Parahyba, pela sua visão de desenvolvimento urbano e social bem mais moderna que muitos dos seus contemporâneos.

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS

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Sobre o autor

Sérgio Botelho é jornalista e escritor, membro da União Brasileira de Escritores. Iniciou sua carreira no final dos anos 1970, na redação do jornal O Norte. Atuou no jornalismo diário em diversos meios de comunicação paraibanos, seja como editor, colunista político ou âncora. Desempenhou atividades enquanto assessor de imprensa em instituições renomadas como a Universidade Federal da Paraíba e o Ministério Público de Rondônia.  Publicou os livros “Memórias da Cidade de João Pessoa” (2024), e “João Pessoa, uma viagem sentimental” (2025).

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