Praça do Trabalho (ou da pedra)

Poucos se dão conta da existência, em João Pessoa, de uma Praça que celebra o Trabalho, principalmente porque a gente da cidade, em sua maioria, não a conhece por esse nome, mas por um marco em granito que lhe serve de ornamento.

Praça da Pedra | Acervo do autor

A praça (da Pedra) fica no Varadouro, tangenciada pelas ruas da República, São Miguel, Maciel Pinheiro, Amaro Coutinho e Barão de Marau, no caminho para a Ponte Sanhauá (ou do Baralho), onde termina a capital paraibana e começa a cidade de Bayeux.

Inaugurada em 1931, sua construção teve efetivamente a participação dos trabalhadores, já que centenas deles carregaram a referida pedra, na casa das toneladas de peso (vinda de Borborema, no Brejo Paraibano, de trem), no muque. O esforço coletivo aconteceu entre a linha ferroviária e o local (cerca de 1 quilômetro), onde virou atração.

Além disso, dezenas de organizações proletárias se fizeram presentes à inauguração, arregimentando centenas de filiados, o que resultou numa festa de grande apelo popular. Eram, em grande parte, associações de socorro mútuo, beneficentes, profissionais e cívicas.

A principal característica dessas entidades era a ambiguidade política. Ao mesmo tempo que celebravam o trabalho, mantinham relações com autoridades e eram frequentemente enquadradas pelo discurso oficial.

A iniciativa em favor da praça, a bem da verdade, foi rigorosamente do poder público, constituído pela revolução de 1930, empenhado em reverenciar a memória do ex-presidente João Pessoa, cujo assassinato provocara o movimento revolucionário.

Enquanto durou a motivação em torno do assassinato de João Pessoa, a praça sediou eventos fervorosos em sua (do antigo líder) lembrança, o que foi sendo reduzido ao longo do tempo.

Por sua vez, a queda da importância econômica e social do espaço urbano que a envolvia contribuiu para lhe subtrair importância, após o fechamento das fábricas da rua da República, do clube Esquadrilha V, dos cinemas e das festas nas ruas Visconde de Itaparica e São Miguel, que faziam fervilhar a região.

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS

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Sobre o autor

Sérgio Botelho é jornalista e escritor, membro da União Brasileira de Escritores. Iniciou sua carreira no final dos anos 1970, na redação do jornal O Norte. Atuou no jornalismo diário em diversos meios de comunicação paraibanos, seja como editor, colunista político ou âncora. Desempenhou atividades enquanto assessor de imprensa em instituições renomadas como a Universidade Federal da Paraíba e o Ministério Público de Rondônia.  Publicou os livros “Memórias da Cidade de João Pessoa” (2024), e “João Pessoa, uma viagem sentimental” (2025).

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