Uma foto de muitas referências memoriais
A foto que ilustra a matéria é cheia de referências memoriais à cidade de João Pessoa. Ela data de março de 1932 e retrata a Rua Duque de Caxias, em dia de solenidade cívica.
Rua Duque de Caxias, 1932 | Acervo do autor
À direita, o antigo Ponto Chic, ainda em sua versão primeira, inaugurado, junto com o Ponto de Cem Reis (Praça Vidal de Negreiros), onde se localizava, em outubro de 1924.
O referido pavilhão, uma espécie de ambiente de estar, ficava colado à rua Duque de Caixas, um corredor de grande importância urbana da cidade, como mostra a cena. Anos depois, foi erguido outro pavilhão, para o lado da Visconde de Pelotas, ocupado majoritariamente por engraxates.
Especificamente, a imagem espelha um ato coletivo de boas-vindas ao capitão Juarez Távora (que a opinião pública insistia em chamar de general, o que é uma outra história), apelidado de vice-rei do Norte. Isso por conta do papel que teve na condução da chamada Revolução de 1930, na região, que à época compreendia da Bahia à Amazônia.
A comitiva se dirigia ao Palácio da Redenção, sede do governo estadual, comandado à época por Antenor Navarro, e contava, ainda, com os interventores de Pernambuco e do Ceará (todos, e mais o mandatário paraibano, no carro aberto à frente). De um lado e do outro, homens, a maioria de terno e chapéu.
O Ponto de Cem Reis foi, em sua origem, largo da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Com o tempo, virou ponto de parada dos bondes que transitavam pela cidade, desde que eram movidos a burros.
Com a derrubada da igreja, e ainda de um casarão que serviu de moradia ao Barão de Maraú (onde depois foi construído o Paraíba Hotel), virou espaço onde existia um relógio, parada dos carros de praça (os antigos táxis) e o referido pavilhão.
Mas, sobretudo, virou ponto central da cidade, com vocação ao convívio dos cidadãos. Com destaque para futuras instalações de cafés e clubes e movimentação intensa em festas e eventos públicos da capital paraibana.
Passou por uma primeira maior intervenção no início da década de 1950, outra no início da década de 1970, outra nos anos 2000. Atualmente, experimenta outra grande intervenção, que fortalece sua vocação para passeio público.
PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS
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PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS 〰️
Sobre o autor
Sérgio Botelho é jornalista e escritor, membro da União Brasileira de Escritores. Iniciou sua carreira no final dos anos 1970, na redação do jornal O Norte. Atuou no jornalismo diário em diversos meios de comunicação paraibanos, seja como editor, colunista político ou âncora. Desempenhou atividades enquanto assessor de imprensa em instituições renomadas como a Universidade Federal da Paraíba e o Ministério Público de Rondônia. Publicou os livros “Memórias da Cidade de João Pessoa” (2024), e “João Pessoa, uma viagem sentimental” (2025).

