Saúde mental no mercado de trabalho e a realidade da mulher
No próximo mês, em maio, exatamente no dia 26 de maio, vai entrar em vigor a Norma Regulamentadora n.1, que foi revisada em 2024 e passará a valer no final do próximo mês.
Sinteticamente, a NR1 é uma norma expedida pelo Ministério do Trabalho e Emprego que trata das obrigações e deveres que os empregadores têm que cumprir para garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores no ambiente laboral. A atualização em 2024 trouxe novidades, como, por exemplo, a obrigatoriedade dos empresários identificarem e gerenciarem os riscos psicossociais no ambiente de trabalho, incluindo estratégias para prevenir o assédio e a violência, incorporando essas ações no programa de gerenciamento de riscos. Isso é muito importante, porque traz a questão da saúde mental, que vem se transformando numa questão fundamental para mercado de trabalho. Houve um aumento significativo dos afastamentos por transtornos psíquicos, que passou a influenciar as decisões estratégicas das organizações.
Dados do Ministério da Previdência Social mostram que o Brasil registrou 472.328 afastamentos por transtornos mentais em 2024, 67% a mais que 2023. O número de 2024 foi o maior da série histórica.
Sabe-se também que o investimento em estratégias de saúde mental são muito positivas para as organizações. A cada um real investido quatro reais retornam. Logra-se mais produtividade, menos afastamentos e menos rotatividade.
Mas a aplicação da NR-1 deve ser igual para homens e mulheres?
Não. Claro que não.
Veja, as mulheres têm questões muito objetivas que influenciam a sua saúde mental e a saúde mental aplicada ao ambiente de trabalho, por exemplo os hormônios. Há uma oscilação de hormônios que reflete no humor da mulher, trazendo, por exemplo, riscos de depressão. No período fértil da mulher, ela tem duas ou três vezes maiores índices de depressão que o homem. E a vida da mulher é quase uma montanha russa hormonal. Tem a gravidez que é uma realidade hormonal. Depois, durante toda a sua vida reprodutiva, outra. E, por fim, a menopausa também tem consequências hormonais.
As mulheres são submetidas infelizmente, a mais violência, tanto física como simbólica. Cobra-se dela, desde a meninice, que estejam em padrões de corpo, o que pode acabar acarretando doenças e transtornos alimentares, além de problemas de estima. As vezes experiências traumáticas na infância vão se refletir na vida adulta.
Essas experiências também estão vinculadas a violência de gênero, que atinge meninas e segue mesmo quando nos tornamos mulheres.
Tudo isso impacta o ambiente de trabalho, inclusive pelo afastamento das mulheres que são vítimas de uma série de violências de gênero.
Existe, ainda, a questão das pressões sociais que obrigam a mulher, no mercado de trabalho, a ser funcional, efetiva, ter que andar bem vestida, sempre com um sorriso no rosto, conciliadora e à disposição apesar da sua dupla, tripla jornada.
Outra questão que atinge a mulher no mercado de trabalho são as pressões sociais e a dificuldade de dizer não. A mulher precisa aprender a dizer não e não precisa se justificar por isso. É necessário naturalizar o não.
O último aspecto que mostra a diferença da ênfase da saúde mental entre homens e mulheres no mercado de trabalho é a própria desigualdade de gênero e discriminação. Até hoje as mulheres recebem salários diferentes. desvalorização e desvalia de nosso trabalho .
A nova NR1 enfatiza a saúde mental e as organizações devem saber trabalhar esse aspecto para as mulheres pois esse grupo vive , infelizmente, até hoje uma realidade que não oferece igualdade de oportunidades fazendo com que a mulher tenha uma pressão maior no mercado de trabalho, tendo que comprovar o tempo todo a sua competência.
Tudo isso mostra que as empresas vão ter que se adaptar, mas de uma forma a olhar as realidades específicas dos gêneros, das faixas etárias, para que seja bem aplicada.
Bem-vinda à nova NR1. É algo muito importante que pode mudar a qualidade de vida no trabalho.
Chá de Ideias
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Chá de Ideias 〰️
Sobre a autora
Doutora em Administração de Empresas pela Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV), mestre em Comunicação Social e graduação em Relações Públicas (PUCRS); Servidora Pública há 27 anos, Diretora-geral do Senado Federal, desde 2015; professora do Mestrado e Doutorado em Administração Pública no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP); colunista do Portal R7, com o vídeoblog “Chá de Ideias”, desde fevereiro de 2025; membro do Conselho de Administração da Caixa Seguridade e autora de livros, entre eles “Intraempreendedorismo no âmbito público federal com foco na inclusão social”.

