O tempo que o Brasil não tem

Envelhecimento se torna cada vez mais uma questão relevante durante as eleições, e os projetos políticos têm que agora considerá-lo em seu planejamento

Maria Evangelina da Silva Jardim, de 103 anos, vota em Florianópolis (SC) neste domingo (4)  • Rodrigo Corrêa / Agência Alesc

O envelhecimento da população dá outro peso à estabilidade democrática: cada ano consumido por impasses políticos reduz o tempo disponível para preparar o Brasil para uma sociedade mais velha.

O Brasil volta às urnas neste domingo, 25 de outubro, num momento em que envelhece e se aproxima de uma mudança demográfica profunda: segundo as projeções do IBGE, a população atingirá o máximo em 2041, começando depois a diminuir. São quinze anos, um horizonte próximo para decisões que exigem formar profissionais, construir infraestruturas e melhorar o ensino.

Quanto desse tempo pode ser consumido por disputas políticas que se prolongam depois de contados os votos? A pergunta interessa aos eleitores de qualquer candidato, porque o envelhecimento prossegue durante as crises e torna mais urgente preparar os serviços de saúde, melhorar a produtividade e financiar a proteção social.

Um impasse prolongado pode adiar investimentos, dificultar decisões orçamentais e empurrar reformas para o governo seguinte. Nas famílias, esse atraso ganha outra medida: uma qualificação que não chega, um emprego que fica por criar, alguém que abandona o trabalho para cuidar de um familiar. Quem dispõe de menos recursos tem também menos meios para suportar a espera.

Publicado originalmente na CNN Brasil, confira a coluna completa abaixo.

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