O feminismo e suas ondas - parte 1

Hoje quero que cada um compreenda porque todos nós, sim, todos nós, acredite se você quiser ou não, somos feministas. Sempre falamos de machismo, mas o que é o machismo? O machismo é um conjunto de crenças, comportamentos e atitudes que promovem a suposta superioridade masculina e tenta justificar a desigualdade de poder entre os gêneros. O machismo é uma característica do patriarcado, que é o sistema social historicamente construído em que os homens detém o poder e autoridade moldando normas e práticas que perpetuam a desigualdade de gênero.

No patriarcado existe o sexismo, que é a discriminação ou o preconceito baseado em sexo ou no gênero, fundamentado na crença que um gênero é inerentemente superior ao outro. Quando isso é aplicado contra as mulheres aparece a misoginia, que é o ódio, o desprezo ou a aversão às mulheres, manifestando-se em atitudes e comportamentos que desvalorizam e discriminam ou violentam as mulheres.

O antídoto para combater o machismo, o patriarcado, o sexismo e a misoginia é o feminismo, porque o feminismo é um movimento social e político e cultural que busca a igualdade de direitos e oportunidades entre homens e mulheres combatendo essas opressões e discriminações de gênero. Portanto, todos somos feministas.

O feminismo se desenvolveu em ondas no mundo e no Brasil. Na verdade, essas ondas são uma forma mais didática de explicar o movimento. Porque, é claro, há questões que começaram no início das ondas feministas e existem até hoje.

O debate feminista começa quando o Estado liberal se institui no mundo, especialmente a partir da Revolução Francesa, que trouxe a igualdade, a fraternidade e a liberdade. E qual não foi a surpresa quando as mulheres que lutaram pela revolução se deram conta que a igualdade, a fraternidade, a liberdade não as incluía… Aí começa a primeira onda internacional do feminismo, que se fortalece no final do século XIX e início do século XX, com o movimento sufragista, com as reivindicações que falavam de participação política, de direitos educacionais, direitos trabalhistas e da propriedade privada. As escolas preponderantes na primeira onda do feminismo são o feminismo liberal e feminismo marxista ou socialista.

Nos Estados Unidos e na Europa, a partir da década de 60 até a década de 80, mais ou menos, começam a surgir reflexões sobre a questão da mulher enquanto situação oposta ao antropocentrismo, ou seja, a compreensão que o homem é o centro do mundo. Algumas pensadoras muito conhecidas nessa época são Simone de Beauvoir, Betty Friedman. e Carol Arnich. Esse movimento discute os direitos sexuais e reprodutivos, a questão da vida privada e o reflexo dela no debate público. É nessa época que surgem os grupos de conscientização para que as mulheres se reunissem e pensassem juntas, compartilhassem experiências e criassem as teorias. feministas. A escola preponderante dessa segunda onda é o feminismo radical.

A terceira onda no mundo, especialmente na Europa e nos Estados Unidos, acontece entre 1990 e 2010. Ela questiona a ideia de uma experiência feminina universal. Mostra a intersecção, a interseccionalidade do feminismo, que o feminismo é plural porque a situação das mulheres também é diversa. Nesse aspecto fala-se do feminismo negro, do feminismo lésbico e do feminismo decolonial, que é a percepção que as mulheres não são um grupo homogêneo.

Já a quarta onda do feminismo internacional começou mais ou menos em 2010 e estende-se até agora. É caracterizada pelos movimentos coletivos via rede social, como o Me Too, as mobilizações contra o assédio, contra a violência, contra o feminicídio e contra o stalking. A escola preponderante é o feminismo digital.

O feminismo, portanto, é uma resposta à discriminação. É um movimento que fala da igualdade de oportunidades, da igualdade de capacidades entre homens e mulheres. Portanto, é um movimento dos direitos humanos.

Essas quatro ondas também ocorrem no Brasil, mas isso vai ficar para a próxima semana.

Chá de Ideias

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Sobre a autora

Doutora em Administração de Empresas pela Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV), mestre em Comunicação Social e graduação em Relações Públicas (PUCRS); Servidora Pública há 27 anos, Diretora-geral do Senado Federal, desde 2015; professora do Mestrado e Doutorado em Administração Pública no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP); colunista do Portal R7, com o vídeoblog “Chá de Ideias”, desde fevereiro de 2025; membro do Conselho de Administração da Caixa Seguridade e autora de livros, entre eles “Intraempreendedorismo no âmbito público federal com foco na inclusão social”.

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