O Areópago de Itambé e o paraibano Arruda Câmara

Até o ano passado, o poeta e escritor Hildeberto Barbosa Filho tinha a salutar mania de organizar excursões culturais relevantes. Na primeira da qual participei, o destino foi Campina Grande para um encontro memorável com intelectuais da Rainha da Borborema. Outra, a Aroeiras, terra de Hildeberto.

Acervo do autor

Lembro que, antes de a prática sofrer um hiato, havia programada uma visita ao que hoje é marco físico do histórico, e até certo ponto misterioso, Areópago de Itambé, uma organização de tipo maçônica, envolta com outro rótulo para fugir das perseguições contra ideias liberais, na época.

O nome Areópago remonta à Grécia antiga, local onde se reunia um conselho de anciãos encarregado das grandes decisões de justiça e política. No caso pernambucano, a loja reunia figuras influentes da região que compartilhavam ideais iluministas e republicanos inspirados na Revolução Francesa.

Seu mais ilustre idealizador era o paraibano de Pombal, Manoel Arruda da Câmara, que viveu entre 1752 e 1810, doutor pela Universidade de Montpellier, na França, onde se envolveu com o pensamento de Voltaire e de Rousseau, e, naturalmente, com os ideais da Revolução Francesa.

Naquela atmosfera do Século XVIII, a maçonaria, nascida no início dos setecentos na Inglaterra, ganhou, em solo francês, forte influência iluminista, especialmente no que diz respeito a laicidade do Estado, ao pensamento republicano e aos direitos civis.

Não precisa dizer que todo esse rol de pensamentos soava como alta subversão ao pensamento conservador e português, dominante no Brasil. Daí, é de se supor que o Areópago de Itambé tenha sido mesmo a primeira experiência maçônica do Brasil, envelopada no arcaísmo grego.

É comum entre os estudiosos atribuir ao Areópago de Itambé influência ideológica sobre acontecimentos marcantes da virada do século XVIII para o XIX, como a Conspiração dos Suassunas, a Revolução de 1817 e a Confederação do Equador. Já tratamos desses temas e voltaremos a aprofundá-los.

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS

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Sobre o autor

Sérgio Botelho é jornalista e escritor, membro da União Brasileira de Escritores. Iniciou sua carreira no final dos anos 1970, na redação do jornal O Norte. Atuou no jornalismo diário em diversos meios de comunicação paraibanos, seja como editor, colunista político ou âncora. Desempenhou atividades enquanto assessor de imprensa em instituições renomadas como a Universidade Federal da Paraíba e o Ministério Público de Rondônia.  Publicou os livros “Memórias da Cidade de João Pessoa” (2024), e “João Pessoa, uma viagem sentimental” (2025).

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