Jorge Palma, voz da música portuguesa

Cantor e compositor faleceu aos 76 anos, deixando mais de cinco décadas de canções que atravessaram gerações e entraram na memória coletiva portuguesa.

A música portuguesa perdeu, na noite de 21 de setembro de 2026, uma das suas vozes mais singulares. Jorge Palma, cantor, compositor e pianista, morreu aos 76 anos, vítima de uma paragem cardiorrespiratória, segundo informação divulgada pela família.

Nascido em Lisboa, em 1950, Jorge Palma começou cedo a estudar música e entrou no Conservatório aos 10 anos. A sua carreira profissional consolidou-se a partir da década de 1970, atravessando mais de meio século de criação musical e afirmando-o como uma das figuras centrais da canção portuguesa contemporânea.

Ao longo desse percurso, construiu uma obra marcada pela intensidade da escrita, pelo piano e por uma voz imediatamente reconhecível. Canções como “Deixa-me Rir”, “Encosta-te a Mim” e “A Gente Vai Continuar” tornaram-se parte do repertório afetivo de várias gerações.

Antes da carreira a solo, integrou grupos como os Sindicato e os Black Boys e participou na primeira edição do Festival de Vilar de Mouros, em 1971. Depois do 25 de Abril, regressou a Portugal e aprofundou uma obra que cruzou pop, rock, canção de autor e formação clássica.

A família destacou que Jorge Palma deixa “uma obra assinalável que faz parte da história” portuguesa. As reações à sua morte sucederam-se no meio cultural e institucional, sublinhando a dimensão de um legado que ultrapassa largamente a música popular.

Para a Associação Portugal Brasil 200 anos, Jorge Palma representa uma forma muito própria de fazer da língua portuguesa matéria de criação, intimidade e memória. As suas canções permanecerão como parte de uma cultura comum que atravessa gerações e fronteiras.

A Associação manifesta pesar pelo seu falecimento e solidariedade à família, aos amigos e a todos os que encontraram na sua música uma forma de companhia.

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