Da Fazenda

Há 54 anos pari pela primeira vez. Mamãe assistiu o parto, fez das tripas coração para não desmaiar vendo o sangue (se desmaiar vai ficar no chão sozinha, disse a doutora Hildegard Stoltz com seu sotaque alemão). Como são parecidas minha menina e minha mãe, tão inteligentes, bonitas e sensíveis. Hoje é um dia de grande emoção para mim.

Acervo da autora

Aqui na fazenda, onde minha menina mora, e onde meu neto veio passar as férias, estamos aproveitando o friozinho e o aconchego de uma lareira generosa. Minha escrita eu a faço com uma agulha de crochê e lãs de alpaca, um casaco que comecei no frio baiano, ventosos 24 graus, e termino nos 11 graus noturnos, em meio a jogos de futebol já sem interesse. Penso que tecer as linhas com nós é quase fazer poesia, e é essa a única que consigo.

Ontem passei meu dia tecendo e escutando a música Noruega, Gelo e Alegria, cantada pelo grupo Umas & Outras. Quando a lançaram, em 1970, virou um hit. Decorei em seguida e na viagem que fiz pela Europa com meus pais, antes do casamento, papai toda hora pedia que a repetisse. Noruega-ou-não-é? Vale a pena ser ouvida, uma verdadeira delícia, tem no Spotfy. Torci por eles, não deu. Francamente não tenho por quem torcer mais, e vou encerrando por aqui minha participação nesta Copa de 2026, que não foi um fiasco graças a Cabo Verde, que encheu nossos corações de alegria. Mais um Viva a eles.

Comecei a escrever somente para introduzir um texto antigo, já que tenho um casaco a costurar, umas poesias a tecer. Ia republicar um texto sobre meu amor por Raduan Nassar, mas acabou que escrevi demais e virou uma croniquinha. Aproveito para renovar a informação de que este senhor, Senhor Escritor! Foi o amor da minha vida.

E mais não digo, que as lãs de alpaca me esperam.

(E mais digo sim! Estava revisando estas palavras quando tocou meu celular, era Lícia Fábio, minha querida: Não tem crônica hoje não?! Fico toda boba quando alguém reclama. Sinto que vale a pena escrever.)

Bom domingo a todos e fiquem com as palavras de Noruega, Gelo e Alegria!

Noruega, Gelo e Alegria!

Noruega seus campos brancos de neve

Nos traz a mais feliz recordação

Dos momentos gloriosos, inesquecíveis, heróicos

Da pesca do bacalhau, ô, ô

Quem já viu o sol da meia-noite nascer

Pode nos dizer com mais razão, ô, ô

Noruega, Noruega querida

Para sempre morarás no meu coração, Noruega

Baluarte da Europa Setentrional

Banhada pelo Oceano Glacial, ô, ô

Teve em sua história grandes vultos

Reis, crianças e adultos

Que fizeram sua honra e tradição

As ardosias dos fiordes magestosos

As papoulas das falésias tão gentis

Ô ô ô ô ô ô ô

Abre alas minha gente

Que a Noruega chegou

Diz Noruega

Das planícies geladas e silenciosas

Partiam os temidos vikings

Navegando rumo Oeste mar afora

Descobriram a América antes da hora

Na bandeira o vermelho da coragem

O branco da pureza e o azul do imenso céu

Terra abençoada onde reside o bom velhinho

Conhecido pela alcunha de Papai Noel-Noruega

Ô ô ô ô ô ô ô

Abre alas minha gente

Que a Noruega chegou

Noruega ou não é?

crônicas de domingo

〰️

crônicas de domingo 〰️

Sobre a autora

Paloma Jorge Amado é escritora, ilustradora e pesquisadora de gastronomia e literatura. Filha de Jorge Amado e Zélia Gattai, é membro do Conselho Diretor da Fundação Casa de Jorge Amado e dirige a Grapiúna, empresa que gerencia os direitos autorais do autor. Autora de diversos livros e curadora de exposições, tem trajetória marcada pela difusão da cultura baiana no Brasil e no exterior.

Foto: Cecília Amado

Próximo
Próximo

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS