PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS

Dia de luto e de celebração para a arte paraibana

Jackson do Pandeiro | Acervo do autor

O dia 12 de julho é uma data de luto para os paraibanos e para a música brasileira. Neste dia, em 1982, falecia em Brasília José Gomes Filho, natural de Alagoa Grande, onde veio ao mundo em 31 de agosto de 1919. Era filho do oleiro (especialista no trabalho de fabricação de utensílios a partir da argila) José Gomes e da cantadora de coco Flora Mourão, um casal com dotes artísticos.

Identificado assim ninguém vai saber de quem se trata. Mas se ao invés de José Gomes Filho eu disser que o cidadão do qual estamos nos referindo se fez conhecido como Jackson do Pandeiro, aí todo mundo sabe de quem se trata. Sem qualquer exagero, um dos artistas paraibanos até hoje mais venerados no mundo da música brasileira. Venerado, mesmo.

Se a gente for relacionar os músicos, cantores e compositores de todas as partes do Brasil que são declaradamente admiradores, ou foram influenciados, ou prestaram homenagens diretas ao referido artista paraibano, vamos compor uma lista enorme. Gilberto Gil é um; Chico Buarque, outro; Lenine, também; Elba Ramalho e Zé Ramalho, nem se fala; Alceu Valença, fã de carteirinha; Geraldo Azevedo, da mesma forma; Ney Matogrosso, João Bosco, Tom Zé e Gal Costa, reverentes. E há mais, muitos mais, inclusive no exterior.

A morte de Jackson do Pandeiro foi a de um artista ainda em plena atividade. Havia feito um show na capital federal, no dia anterior, após outro, em Pernambuco. Apenas com 63 anos incompletos. Seguia, apesar de sua diabetes, fazendo shows, mesmo sem o mesmo prestígio comercial que tivera nas décadas de 1950 e 1960, espaço de tempo em que sua arte brilhou com mais intensidade.

Foi grande, muito grande, o artista paraibano Jackson do Pandeiro, inscrevendo-se notavelmente na história da música brasileira. Celebremos a sua existência!

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS

〰️

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS 〰️

Sobre o autor

Sérgio Botelho é jornalista e escritor, membro da União Brasileira de Escritores. Iniciou sua carreira no final dos anos 1970, na redação do jornal O Norte. Atuou no jornalismo diário em diversos meios de comunicação paraibanos, seja como editor, colunista político ou âncora. Desempenhou atividades enquanto assessor de imprensa em instituições renomadas como a Universidade Federal da Paraíba e o Ministério Público de Rondônia.  Publicou os livros “Memórias da Cidade de João Pessoa” (2024), e “João Pessoa, uma viagem sentimental” (2025).

Próximo
Próximo

Retiro Urbano "Plena Pausa": quando a arquitetura de terra convida ao reencontro com a natureza