A Urgência de Mudar a CBF
A eliminação precoce da Seleção Brasileira na Copa do Mundo deste ano provoca um debate que se faz urgente e necessário.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) tem atuado priorizando interesses financeiros e corporativos, aproveitando-se da paixão dos brasileiros pelo esporte para se transformar em um verdadeiro “balcão de negócios”.. Há um histórico de debates e desconfianças sobre atletas convocados pouco antes de serem vendidos para o exterior por valores astronômicos. A visibilidade da camisa canarinho passou a ser considerada, primordialmente, uma vitrine para valorizar ativos de mercado.
Esse modelo de negócios dificulta a repetição do sucesso da época em que o país conquistou seus cinco títulos mundiais. A meritocracia esportiva dentro das quatro linhas parece ter sido deixada de lado; o que se vê hoje é o interesse na exibição de marcas e na valorização de ativos financeiros. Essa percepção pública decorre da forte influência de empresários nas convocações, nos acordos comerciais da Seleção e na própria gestão política do futebol nacional.
O que testemunhamos é a reprodução dos vícios da FIFA, onde o futebol se torna um showbusiness comandado por dirigentes ávidos por benefícios pessoais e pela perpetuação no poder. A CBF insiste em dar prioridade ao que define o seu departamento de marketing, mesmo que em detrimento da performance esportiva. Além disso, sua estrutura interna garante poder e privilégios às federações estaduais em troca de apoio político contínuo aos caciques da entidade, alimentando críticas de corrupção crônica. Essa mistura nociva entre política, finanças e compadrio faz com que o torcedor seja frequentemente surpreendido por convocações questionáveis.
A Seleção virou um catálogo de empresários, sufocando a qualidade do futebol apresentado. A maior confirmação de que a equipe se tornou uma empresa de marketing foi a decisão de renovar o contrato do técnico Carlo Ancelotti até 2030, dias antes de anunciar os jogadores convocados. A gestão da marca visa sempre cumprir metas de patrocinadores e engajamento, sobrepondo-se ao desempenho técnico. É o caso da insistência em Neymar, transformado em garoto-propaganda vitalício, que despreza a necessidade de renovação do futebol brasileiro por receio de que os jovens talentos ofusquem as estrelas comerciais da equipe.
Por conta de tudo isso, protagonizamos um fiasco histórico ao sermos eliminados logo nas oitavas de final. Passamos vergonha. A Seleção Brasileira deixou de ser um patrimônio de identidade cultural para virar um produto de exportação lucrativo. É inaceitável que apenas dois escritórios de agenciamento, o do empresário Giuliano Bertolucci e a Roc Nation Sports, representem, sozinhos, quase metade dos convocados (11 jogadores), como denunciou o portal Ge.
Ou mudamos radicalmente o comportamento gerencial da CBF, ou continuaremos passando vergonha nos próximos campeonatos mundiais.
Rui Leitão
Na Linha do Tempo
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Sobre O autor
Jornalista, escritor e historiador.
Integrante da Academia Paraibana de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba

