Falece Zuenir Ventura, aos 95 anos
Jornalista, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras construiu uma obra fundamental para compreender a história política, social e cultural recente do Brasil.
Foto: Alice Vergueiro/Abraji
O jornalismo e a literatura brasileira perderam, na terça-feira, 22 de setembro, uma de suas vozes mais respeitadas. Zuenir Ventura morreu aos 95 anos, em casa, no Rio de Janeiro, em decorrência de uma pneumonia.
Nascido em Além Paraíba, Minas Gerais, em 1931, Zuenir atravessou mais de seis décadas de imprensa e trabalhou em veículos como O Cruzeiro, Visão, Jornal do Brasil, IstoÉ e O Globo. Em 2014, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, onde ocupava a cadeira 32, na sucessão de Ariano Suassuna.
A sua obra tornou-se referência pela capacidade de transformar grandes reportagens em livros que ajudaram a interpretar o país. “1968 – O Ano que Não Terminou” permanece como um dos retratos mais importantes daquele período. Em “Cidade Partida”, Zuenir investigou a violência e a desigualdade no Rio de Janeiro; já em “Chico Mendes – Crime e Castigo”, retomou a cobertura sobre o assassinato do líder seringueiro, trabalho que lhe valeu os prémios Esso e Vladimir Herzog.
Ao longo da carreira, recebeu ainda o Prêmio Jabuti por Cidade Partida e foi reconhecido por sua atuação em defesa dos direitos humanos e pela qualidade de um jornalismo que aliava investigação, escuta e reflexão sobre a sociedade brasileira.
Em 2026, sua trajetória foi novamente revisitada no documentário “Mestre Zu”, dirigido por Zelito Viana, que apresentou um retrato de uma vida profundamente ligada à imprensa, à literatura e à compreensão do Brasil contemporâneo.
Para a Associação Portugal Brasil 200 anos, Zuenir Ventura deixa um legado que ultrapassa o jornalismo. Sua obra demonstra a força da palavra como instrumento de memória, cidadania e compreensão do tempo presente.
A Associação manifesta profundo pesar pelo seu falecimento e solidariedade à família, aos amigos, aos leitores e às gerações de jornalistas que encontraram em Zuenir Ventura uma referência de rigor, humanidade e compromisso com a cultura brasileira.

