Zorobabé
Depois do acordo entre Portugueses e Tabajaras, que permitiu a fundação da Capitania da Paraíba, em 1585, a briga continuou entre lusitanos e Potiguaras, somente findada em 1599, com a rendição indígena. Na serra da Copaoba restou um grupo potiguara muito forte, sob a direção do cacique Zorobabé, um indígena de grande liderança, embora um tanto extravagante.
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Em 1603, Zorobabé foi recrutado pelos colonizadores, junto com centenas de sua tribo, para combater indígenas Aymorés na Bahia. Ao chegaram lá, o perigo já havia passado. Mas o pior estava por vir, para os da Paraíba.
As elites produtoras baianas decidiram que eles não voltariam mais à sua terra. Ao contrário disso, deveriam ficar em território baiano na condição de cativos. Os Potiguaras, então, resolveram morrer lutando, a irem para o cativeiro.
Foi então que o governador Diogo Botelho chegou à Bahia e decidiu cumprir a promessa feita pelos portugueses de que os indígenas voltariam à Paraíba, uma vez cessada a ameaça dos Aimorés.
Mas o retorno teria de ser feito a pé, pelo Interior, em um trajeto de mais de mil quilômetros. Havia, porém, um detalhe. No caminho, teriam de destruir um embrionário quilombo em Palmares. E foi o que fizeram, embora Palmares tenha ressurgido com toda a força que a história lhe conferiu.
Não só o destruíram, como levaram vários negros presos, que foram vendendo pelo caminho para comprar uma bandeira de campo, um tambor, um cavalo e vestidos com os quais entraram triunfantes em sua terra.
Em 1608, Zorobabé e sua família foram levados a Lisboa. O cacique foi confinado em Évora, onde morreu. Apesar da rendição, os conquistadores morriam de medo de sua liderança entre os Potiguaras.
Essas informações foram extraídas do projeto “Os Brasis e suas memórias: os indígenas na formação nacional”, de livre acesso online.PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS
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Sobre o autor
Sérgio Botelho é jornalista e escritor, membro da União Brasileira de Escritores. Iniciou sua carreira no final dos anos 1970, na redação do jornal O Norte. Atuou no jornalismo diário em diversos meios de comunicação paraibanos, seja como editor, colunista político ou âncora. Desempenhou atividades enquanto assessor de imprensa em instituições renomadas como a Universidade Federal da Paraíba e o Ministério Público de Rondônia. Publicou os livros “Memórias da Cidade de João Pessoa” (2024), e “João Pessoa, uma viagem sentimental” (2025).

