Superinteligência obriga Trump e Xi Jinping a conversar
China e Estados Unidos participam de uma corrida para conquistar o controle sobre as inteligências artificiais, mas, quanto mais perto chegam, maior é a necessidade de discutir o tema com seu rival.
Fonte: Reuters
Dois dias depois de chamar a inteligência artificial de “superinteligência” na ONU, Donald Trump ouviu Xi Jinping dizer, na Casa Branca, que ela deve permanecer sob controle humano. Talvez tenha sido o trecho mais importante do encontro.
Na Casa Branca havia bandeiras, banda militar, o protocolo das grandes potências e todos os assuntos previsíveis sobre a mesa. Comércio, Taiwan, segurança, tecnologia.
No meio deles, Xi Jinping pronunciou uma frase que poderá sobreviver ao resto do encontro: Estados Unidos e China têm a responsabilidade de garantir que a inteligência artificial permaneça sob controle humano.
Trump, segundo o relato oficial chinês, concordou que a IA diz respeito ao futuro da humanidade e que os dois países devem manter o diálogo sobre o tema.
Dois dias antes, na Assembleia Geral das Nações Unidas, Trump havia escolhido uma linguagem muito diferente. Rebatizou a inteligência artificial de “superinteligência”, declarou que os Estados Unidos lideravam a corrida e rejeitou aquilo que chamou de um esquema global de controle da tecnologia.
Entre uma afirmação e outra existe uma tensão que vale mais do que qualquer fotografia diplomática: a maior potência tecnológica do Ocidente quer correr sem impedimentos internacionais, mas começa ao mesmo tempo a admitir que há riscos que não consegue administrar sozinha.
Publicado originalmente na CNN Brasil, confira a coluna completa abaixo.

