“Trincheira tropical” conquista o principal reconhecimento do Prêmio Jabuti 2026, em edição que homenageou Lygia Bojunga e estreou categoria dedicada à cultura digital.
O 68.º Prêmio Jabuti anunciou, na noite de 27 de outubro, os vencedores de 2026 durante cerimônia realizada na Sala São Paulo. O principal destaque foi Ruy Castro, vencedor do Livro do Ano com Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio, publicado pela Companhia das Letras.
Na obra, o escritor reconstrói o Rio de Janeiro entre 1935 e 1945, mostrando como os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial repercutiram na vida política e cotidiana da cidade. O livro também venceu a categoria Biografia e Reportagem, reforçando a combinação entre pesquisa histórica, narrativa e memória urbana.
Criado em 1958 e promovido pela Câmara Brasileira do Livro, o Jabuti recebeu nesta edição 4.675 obras e projetos, distribuídos por 22 categorias, além da nova modalidade Incentivo à Leitura – Cultura Digital. O prêmio está organizado em quatro eixos: Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação.
A novidade de 2026 foi justamente a categoria voltada à promoção da leitura nos ambientes digitais. O vencedor foi Pedro Pacífico, criador do Bookster, reconhecido pelo trabalho de recomendação de livros, entrevistas e formação de comunidades de leitores nas redes. A categoria recebeu 402 indicações válidas.
A cerimônia também prestou homenagem à escritora Lygia Bojunga, escolhida como Personalidade Literária desta edição, no ano em que A Bolsa Amarela completa 50 anos. Autora fundamental da literatura para crianças e jovens, Lygia construiu uma obra marcada pela imaginação, liberdade e profundidade com que trata conflitos da infância e da vida.
Além da estatueta, Ruy Castro recebe R$ 70 mil e poderá participar, em 2027, de uma das grandes feiras internacionais do livro em Londres, Bolonha, Frankfurt ou Guadalajara, com programação de divulgação promovida pela CBL.
Para a Associação Portugal Brasil 200 anos, o Jabuti continua a ser um dos principais termómetros da produção editorial brasileira. Ao reconhecer autores, editores, ilustradores, tradutores e agora também mediadores digitais da leitura, o prêmio mostra como o livro permanece central na cultura — mas também como as formas de chegar aos leitores continuam a se transformar.

