Que legado os festivais literários deviam deixar nas cidades?
Salvador e Paraty no Brasil e Óbidos em Portugal, só para falar dos mais importantes, descobriram que literatura e patrimônio podem produzir uma poderosa economia cultural. Falta agora que o festival devolva ao território parte do valor que dele recebe
A Flip não aconteceria da mesma maneira num centro de convenções do Rio de Janeiro. Parte do seu valor está nas pedras de Paraty, nos sobrados, no rio, nas igrejas e na possibilidade de caminhar entre livros e uma cidade que já é narrativa.
A própria Flip define a relação com o território como parte de sua singularidade e fala de projetos permanentes de requalificação urbana.
Em Salvador acontece algo semelhante: a Flipelô ocupa ruas, largos e espaços culturais do Centro Histórico, e reconhece que os milhares de visitantes movimentam comércio, turismo e atividades produtivas do Pelourinho. Um potencial ainda maior em cidades servidas por aeroporto internacional.
Os festivais fazem muito bem às cidades. Mas quanto desse valor permanece quando os palcos são desmontados? Um festival pode ocupar uma praça, uma igreja, um casarão ou uma rua durante cinco dias. Mas, quando escolhe uma cidade histórica, recebe algo que nenhum patrocinador consegue comprar: séculos de memória acumulada.
Publicado originalmente na CNN Brasil, confira a coluna completa abaixo.

