Portugal aposta na literatura para levar mais brasileiros ao país

Portugal está em Paraty com uma ideia simples e poderosa: usar a literatura para dar a conhecer melhor o país

A presença portuguesa na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) não é apenas uma operação de charme cultural. É parte de uma estratégia. Portugal percebeu que a literatura pode ser uma das formas mais qualificadas de promover turismo. Não se trata apenas de convidar brasileiros a visitar Lisboa, Porto, Coimbra, o Douro ou o Alentejo. Trata-se de convidá-los a ler esses lugares antes, durante e depois da viagem.

Poucos países têm uma relação tão forte entre território e literatura como Portugal. Há a Lisboa de Fernando Pessoa e José Saramago, o Douro de Miguel Torga, o Alentejo de José Luís Peixoto, o Minho de Camilo Castelo Branco, a Coimbra de tantos escritores, as ilhas, as aldeias, os caminhos, as casas de autores, as bibliotecas históricas e as livrarias que se tornaram destinos em si mesmas.

Há exemplos célebres. A viagem a Portugal de Saramago será a mais celebrada, mas quem lê “As Cidades e as Serras” ou “A Ilustre Casa de Ramires” de Eça de Queiroz encontra ali não apenas uma obra literária, mas uma forma de olhar Portugal: o campo, a aristocracia, a modernidade, a ironia, a paisagem, a relação entre tradição e futuro. E o mesmo acontece com “Viagens na Minha Terra”, de Almeida Garrett, talvez um dos grandes textos fundadores desta ideia: viajar por Portugal é também pensar Portugal.

É isso que o turismo literário permite. Ele transforma o leitor em viajante e o viajante em alguém que regressa com uma relação mais funda com o destino. Quem visita um lugar por causa de um livro não procura apenas uma fotografia. Procura uma memória, uma frase, uma personagem, uma paisagem que já existia dentro de si antes de chegar.

Publicado originalmente na CNN Brasil, confira a coluna completa abaixo.


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