O poder da cadeira vazia
Cargos a serem preenchidos nas instituições brasileiras revelam o valor político da espera; uma cadeira vazia transforma-se numa promessa disponível
Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF) • Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Os cargos a serem preenchidos nas instituições brasileiras revelam o valor político da espera. Quem pode adiar uma decisão ganha vantagem sobre quem precisa dela, enquanto o país suporta o custo de continuar à espera.
Duas diretorias do Banco Central brasileiro estão vagas desde janeiro, sem que Lula tenha apresentado nomes. No Supremo Tribunal Federal, a rejeição de Jorge Messias pelo Senado, em abril, prolongou outra ausência, enquanto órgãos que fiscalizam o mercado financeiro e a concorrência também acumulam lugares vagos. São funções das quais dependem decisões que afetam empresas, investimentos e a vida de milhões de pessoas.
Cada uma destas cadeiras tem uma história, e seria confortável demais atribuir todas as ausências à mesma vontade. Há escolhas que o Executivo adia, candidatos que o Senado rejeita e negociações que se arrastam. Mas o resultado permite perceber uma forma de exercer poder que recebe menos atenção do que os discursos: controlar o tempo de uma decisão pode ser tão importante como determinar o seu conteúdo.
Publicado originalmente na CNN Brasil, confira a coluna completa abaixo.

