O incrível Exército L

Crônica de domingo, 8 de novembro de 2026

Paloma Jorge Amado

Segundo domingo depois da reeleição do Presidente Lula, aconteceram mais coisas do que se poderia imaginar. Ouvi uma postagem adorável de moça bem-humorada, em que trata a eleição como se fora uma série, dizendo que terminada a primeira temporada, com o exército de Janones marchando triunfante de volta para o Palácio do Planalto, em vez de armas de fogo um L na mão de cada um dos milhões de soldados, e já começou a segunda temporada, com novos Ls se espalhando pelo mundo.

Pego o pião na unha e prossigo. Os americanos, de forma magistral, em defesa de sua democracia combalida, elegem um muçulmano para o Senado e para governar estados tradicionalmente republicanos, uma mulher negra e outra latina. Congresso majoritariamente contra Trump. Uma vitória bonita de se ver.

No segundo episódio (da segunda temporada) aí vem o Paraguai, prendendo o Vorcaro deles, o Presidente tenta o golpe de renunciar para não perder o cargo de senador eterno, uma boquinha de ouro que existe na Constituição deles. O Exército L do Paraguai não deixa, pedem seu impeachement por unanimidade de votos, fica sem direitos, o povo guarani vai atrás dos bandidos que estavam massacrando monetáriamente paraguaios e brasileiros lá residentes. O núcleo cômico desta série -- sim, sempre tem que ter uns atores secundários fazendo graça --, é composto por brasileiros militantes perdedores que decidem mudar para o Paraguai imediatamente, e dão de cara com o povo sofrendo as agruras daquele regime corrupto e depois vêm o temido Exército L novamente em ação. Hahahahahaha! Vi até um cretino, do alto de sua prepotência bolsonarista dizendo que o Itamaraty tinha que repatriá-los. Hahaha! Vejam se não é para se dar uma boa risada, ouvir os auto-exilados pela "perseguição" de uma eleição limpa e democrática, exigindo que o povo brasileiro lhes pague passagem de volta.

Ainda vimos que o povo brasileiro não se desmobilizou, nem o fará nunca mais. E o golpe pelo retorno das Bets e seus crimes medonhos, articulado pelo Ministro, aquele da sombrancelhona, vai dar com os burros n'água.

Ando anciosa pelo próximo capítulo, o que se anuncia com poemas de Garcia Lorca, e o Exército L Español pronto para vencer lindamente!

Todos chegam com seus Ls empunhados. Liberdade!, Liberty!, Libertad! Lula um exemplo para o mundo, com seu Exército humanista e fiel.

Era isso que eu queria dizer. Estou estreiando a escrita de crônica no carro em movimento. São 13.30hs de sábado 7, acabamos de passar por Cruz das Almas, a caminho de Salvador. A partida foi às 9.30 de Itajuípe, onde estava para participar da Flijuipe, e falar dos romances do Cacau, na terra que viu crescer o Menino Grapiuna. Meu pai aprendeu a ser gente nestas terras maravilhosas onde o fruto de ouro cresce até hoje. Aproveito para contar que foi lindo, uma mesa com pessoas inteligentes e preparadíssimas, os professores Rita Lirio e Alessandro Fernandes de Santana, reitor da UESC e a poeta e acadêmica Silmara Oliveira, que foi mediadora de nossa conversa. Fizemos uma bela amálgama do saber acadêmico com a voz da vivência, a única que consigo pronunciar, para lembrar Adonias Filho e Jorge Amado. Quem ouviu, gostou. Eu também gostei. Antes de nós, falou o casal de historiadores Laila Brichta e Flávio Gonçalves, mediados por Magno Freitas. Foi lindo, preciso e cheio de saber. A sala parecia perfumada com aquele cheiro de amêndoa de cacau torrando, logo antes de virar chocolate.

E teve mais, o almoço em casa de Luzinha, mãe de Analu Leite, a curadora da Flijuipe, onde pude, de uma vez só, conhecer e me tornar amiga íntima da dona da casa, do cineasta Cícero Bathomarco, do casal Cecília e Jonga -- médico colega de minha prima Fernanda e amigo de minha amiga Ofélia -- e da professora Erminda, que me ensinou sobre o plantio com cabruca e a preservação ambiental. Foi adorável, já estou com saudades.

É uma experiência interessante escrever no carro andando, faz a viagem passar rapidinho. Nesses poucos parágrafos desde Cruz das Almas, já passamos por Govenador Mangabeira e Muritiba. Padre, que de sacerdote só tem apelido e é por ofício motorista, me conta que estamos chegando em Conceição de Feira, onde pegamos a BR324, daí para casa é um pulo. Me acompanham no carro David, o Menino Maluquinho, e o escritor Renato Nakamura, duas simpatias! Quando chegar em casa reviso e já temos crônica para amanhã.

Bom domingo a todos.

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