Livros infantis e de colorir impulsionam crescimento do mercado editorial em Portugal
O mercado do livro em Portugal registou um crescimento expressivo em 2025, revelando mudanças nos hábitos de leitura e novas portas de entrada para o universo editorial.
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O setor livreiro português encerrou 2025 com um aumento de 6,9% nas vendas, num desempenho acima da média europeia e fortemente impulsionado pelos livros infantis e, em particular, pelos livros de colorir. O dado confirma uma tendência de diversificação do consumo cultural, em que o livro deixa de ser apenas objeto de leitura linear para assumir funções lúdicas, pedagógicas e até terapêuticas.
Este crescimento foi sustentado tanto pelo aumento do volume de exemplares vendidos como pela capacidade do mercado em atrair novos públicos. Os livros de colorir, inicialmente associados ao público infantil, ampliaram o seu alcance e passaram a conquistar leitores adultos, reposicionando-se como ferramentas de bem-estar, criatividade e pausa num quotidiano cada vez mais digital. No entanto, estes dados não indicam um aumento no número de leitores nem no nível de alfabetização do país.
Ao mesmo tempo, o desempenho do segmento infantil reforça o papel do livro como primeiro território de contacto com a língua e a imaginação. Em contextos de maior exposição às plataformas digitais, a materialidade do livro — o papel, o gesto de folhear, o tempo partilhado — reaparece como valor cultural e educativo central.
Mais do que um fenómeno conjuntural, os números revelam um mercado atento às transformações sociais e às novas formas de relação com a leitura. Num espaço de língua comum, onde livros circulam, histórias atravessam fronteiras e leitores se reconhecem, o crescimento do setor editorial sinaliza também oportunidades futuras para a criação, a edição e o intercâmbio cultural no universo lusófono.

