Flip: quando a festa cresce mais do que o festival
A notícia mais importante da edição deste ano talvez não tenha sido um escritor nem um livro. Foi a revelação de que um dos maiores festivais literários do mundo começa a descobrir que o seu prestígio cultural, sozinho, já não paga a conta
O diretor artístico da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), Mauro Munhoz, reconheceu que a redução do orçamento pode comprometer a edição de 2027. A declaração merece atenção. Não porque faltem patrocinadores interessados em cultura, mas porque obriga a fazer uma pergunta mais difícil: o que um festival literário maduro oferece hoje a quem o financia?
Durante mais de vinte anos, a Flip construiu um patrimônio cultural extraordinário. Transformou Paraty numa referência internacional, projetou autores, valorizou editoras independentes e ajudou a formar leitores. O seu sucesso foi tão grande que produziu um fenômeno raro: a cidade passou a receber uma constelação de casas, programações paralelas, marcas, editoras e instituições que utilizam a semana da Flip como o maior ponto de encontro da literatura brasileira.
O paradoxo aparece justamente aí. A programação oficial deixou de ser, muitas vezes, a principal atração da cidade. Nesta edição, uma das presenças mais aguardadas, a filósofa norte-americana Angela Davis, participou de atividades promovidas pelo Sesc, fora do palco principal da Flip. Ao mesmo tempo, a cidade registou um número recorde de casas parceiras, que passaram a disputar a atenção do público, da imprensa e dos próprios escritores
Publicado originalmente na CNN Brasil, confira a coluna completa abaixo.

