Brincar para pensar

A artista Saskia Moro apresenta em Portugal uma exposição que transforma o gesto lúdico em ferramenta de reflexão, cruzando memória, linguagem e formas simples para interrogar a maneira como aprendemos a ver e a interpretar o mundo.

A exposição As Brincadeiras, de Saskia Moro, propõe um mergulho num território onde o jogo deixa de ser apenas uma experiência infantil e passa a funcionar como método artístico e cognitivo. A mostra reúne obras que exploram formas geométricas elementares, superfícies marcadas pelo tempo e uma relação deliberada com o erro, o acaso e a repetição.

O ponto de partida do trabalho de Moro está na ideia de que brincar é uma forma primária — e sofisticada — de organizar o pensamento. As peças expostas recorrem a materiais simples, composições aparentemente intuitivas e referências gráficas que evocam cadernos, labirintos, esquemas e exercícios, criando um diálogo entre a aprendizagem formal e a liberdade do gesto experimental.

Ao invés de apresentar respostas fechadas, a artista constrói situações visuais abertas, em que o espectador é convidado a recompor sentidos. O jogo, aqui, não é evasão: é estrutura. Cada obra funciona como um pequeno sistema em tensão, onde ordem e desvio coexistem, refletindo processos mentais ligados à memória, à linguagem e à construção do conhecimento.

A exposição reforça uma tendência atual da arte europeia que revisita o universo da infância não pela nostalgia, mas pela sua potência crítica. Em As Brincadeiras, o lúdico surge como linguagem universal, capaz de atravessar culturas e gerações, e como ferramenta para pensar a forma como nos relacionamos com o mundo — desde os primeiros gestos até às estruturas mais complexas do pensamento adulto.

A inauguração ocorre no Porto, dia 21 de fevereiro, na Árvore – Cooperativa de Actividades Artísticas, às 16h (fuso horário de Lisboa), e a exposição permanece aberta para visita até o dia 28 do mês seguinte.

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