Sesc são Paulo. A nova temporada.

Há semanas em que São Paulo se comporta como capital cultural global sem pedir licença.

A atual temporada de espetáculos do SESC São Paulo é um desses momentos em que o Atlântico parece estreitar-se por vontade própria.

Enquanto a Europa debate o futuro do financiamento público da cultura sob o peso de austeridades recorrentes, o Sesc movimenta dezenas de unidades com uma programação diversa, acessível e territorialmente distribuída, afirmando algo raro: cultura não como evento, mas como sistema contínuo de circulação simbólica

Para quem vem de lá e vive cá, o contraste é quase pedagógico. Em muitas cidades europeias, a cultura resiste em ilhas centrais, protegidas por curadorias refinadas e bilheteiras seletivas; em São Paulo, ela atravessa bairros, idades e repertórios, criando públicos em vez de apenas servi-los.

O risco, claro, é a naturalização: quando tudo funciona, deixa de ser percebido como exceção. A oportunidade, maior ainda, é estratégica: num mundo em que soft power se mede pela capacidade de gerar sentido coletivo, o Sesc opera como infraestrutura invisível de cidadania cultural.

Não exporta modelos, mas oferece uma lição incômoda aos dois lados do oceano: cultura forte não nasce do improviso nem do luxo, nasce de política pública consistente, visão de longo prazo e confiança no público. E isso, convenhamos, anda em falta tanto em Bruxelas quanto em Brasília.

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