O frevo nas ruas de João Pessoa

A poucos dias do Carnaval de 2026, com João Pessoa já vivendo a folia, é hora de falar do frevo. Sobre o frenético ritmo, lembramos que não há data precisa para sua origem, mas há consenso de que nasceu no Recife, entre o final do século XIX e o início do XX. O primeiro frevo foi gravado por Nelson Ferreira em 1922, o clássico Borboleta não é Ave, ainda sucesso nos Carnavais da capital pernambucana.

Em João Pessoa, o frevo ganhou as ruas no Carnaval de 1932, sob os acordes da orquestra Batutas de Jaguaribe, iniciativa do criativo Oliver Von Sohsten (holandês, empresário e músico cuja história se mistura com a da cultura pessoense) e do maestro Olegário de Luna Freire. A partir do grupo do Batutas de Jaguaribe, surgiu a famosa Orquestra Tabajara.

Quatro anos depois de o frevo tomar as ruas, matéria editorial de A União (sem assinatura) confirma o fato: “O nosso carnaval de rua, até poucos anos atrás, ressentia-se da animação do ‘frevo’. A multidão ficava à margem, espiando, sem grandes estremecimentos o desfile do corso, clubes e cordões. ou achando graça nos mascarados que soltavam piadas. (...) No carnaval de 1932, Oliver preparou uma surpresa maior para a cidade: no sábado gordo, à frente dos Batutas de Jaguaribe, (que eram batutas mesmo), conseguiu introduzir, definitivamente, o “passo”, arrastando milhares de pessoas ao som de marchas loucas da época.”

Frevo | Acervo do autor

Em 1936, numa quinta-feira, 20 de fevereiro, anterior ao Sábado de Carnaval, saiu às ruas uma tal Marcha Democrática (sic), animada pelo frevo, com “dez mil pessoas, ao som de uma dezena de boas orquestras”, quando “invadiram o centro da cidade {das Trincheiras ao Cruzeiro de São Francisco}, no requebro do ‘passo’, o que constituiu um fato inédito na história do carnaval paraibano. Foi uma loucura”, contava A União de 22 de fevereiro daquele ano.

O frevo acabava de encontrar uma nova expressão nas ruas de João Pessoa.

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS

〰️

PARAHYBA E SUAS HISTÓRIAS 〰️

Sobre o autor

Sérgio Botelho é jornalista e escritor, membro da União Brasileira de Escritores. Iniciou sua carreira no final dos anos 1970, na redação do jornal O Norte. Atuou no jornalismo diário em diversos meios de comunicação paraibanos, seja como editor, colunista político ou âncora. Desempenhou atividades enquanto assessor de imprensa em instituições renomadas como a Universidade Federal da Paraíba e o Ministério Público de Rondônia.  Publicou os livros “Memórias da Cidade de João Pessoa” (2024), e “João Pessoa, uma viagem sentimental” (2025).

Anterior
Anterior

APBRA e Instituto Paulo Leminski assinam Termo de Cooperação

Próximo
Próximo

Universidades de Portugal sobem no Ranking QS Europa 2026