Comercializando a humanidade em troca de likes- os jovens e a violência nas redes sociais
Olá, eu sou Ilana Trombka e toda segunda-feira eu te convido para tomar um chá comigo. O chá de hoje é de Artemisia, que é conhecido por ser insanamente amargo. Isso porque o fenômeno que vamos discutir hoje é um fenômeno amargo e duro de engolir...
Só no Distrito Federal, nos últimos dias, duas brigas envolvendo jovens terminaram em mortes. Uma delas foi a de Rodrigo Castanheiro, um jovem de 16 anos. que foi brutalmente agredido por Pedro Turra em 22 de janeiro em uma briga forjada e que morreu em 7 de fevereiro. E o outro foi o Leonardo Ferreira da Silva, de 19 anos, que perdeu a vida em 15 de fevereiro após uma briga na cidade de Sobradinho 1.
Duas brigas que foram filmadas. Outras pessoas presentes que estavam dispostas a filmar, mas não disponíveis para separar, evitar as brigas ou acudir as vítimas.
O ano passado, na cidade de Paraguaçu Paulista um perfil feito por um adolescente de 12 anos e com 300 seguidores foi tirado das redes, porque se dedicava a divulgar brigas de estudantes. A estratégia era promover encontros com o objetivo de estimular confrontos físicos. Tudo porque esse tipo de vídeo, essa forma de conteúdo, engaja e dá muitos likes.
Isso não é problema propriamente das redes sociais, mas do uso que é feito delas. A espetacularização da violência transforma atos violentos em entretenimento e mercadoria, banalizando o horror e ampliando o seu impacto traumático por meio da rápida circulação da imagem.
As características e os impactos desse fenômeno, que tem crescido cada vez mais, sao a normalização de agressões com a exposição contínua e a transformação das tragédias em memes ou entretenimento, diluindo a percepção da gravidade e tornando a sociedade mais insensíveis à dor alheia.
Existe, ainda, o efeito contágio também chamado de copycat, comum em casos de invasões com mortes em escolas e universidades.
Muito disso se dá em virtude da lógica da internet, da busca por visibilidade, por cliques e por engajamento o que prioriza a velocidade em detrimento da responsabilidade.Por vezes, as próprias empresas acabam impulsionando conteúdos violentos que são capturados pelo algoritmo e colocados em destaque.
Tudo muito sério e grave, mais sério quando falamos de adolescentes e jovens, pessoas em formação que tem a necessidade da validação do grupo e entendem que o número de likes e engajamento significam aceitação, o que acaba por estimular e criação dessa cultura da espetacularização da violência.
Chá de Ideias
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Chá de Ideias 〰️
Sobre a autora
Doutora em Administração de Empresas pela Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV), mestre em Comunicação Social e graduação em Relações Públicas (PUCRS); Servidora Pública há 27 anos, Diretora-geral do Senado Federal, desde 2015; professora do Mestrado e Doutorado em Administração Pública no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP); colunista do Portal R7, com o vídeoblog “Chá de Ideias”, desde fevereiro de 2025; membro do Conselho de Administração da Caixa Seguridade e autora de livros, entre eles “Intraempreendedorismo no âmbito público federal com foco na inclusão social”.

