Alberto Santos lança novo livro
O Escritor e Secretário de Estado da Cultura português, Alberto Santos, lançou novo romance que revive tragédia de Barbacena (MG, Brasil) e reacende debate sobre memória.
Alberto Santos | Direitos reservados
O novo romance As Rosas de Barbacena, de Alberto S. Santos, recoloca em circulação um dos capítulos mais brutais da história brasileira. A obra surge como ficção ancorada em fatos reais sobre o Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais, apresentado como palco de violência, abandono e silenciamento ao longo de décadas.
Santos mescla ficção e história em todos os seus livros, dando cor a personagens reais que deixaram poucos rastros que servem de guias para que a imaginação preencha o que a história não guardou.
Mantendo-se fiel ao seu processo criativo de escrita, o autor terminou o livro após visita ao local no qual se passa a narrativa, no final de 2025. O livro foi lançado em março de 2026, tem 340 páginas e acompanha personagens marcados por separação, perda e resistência, transformando memória em matéria literária.
O pano de fundo histórico é severo: estimativas citadas por órgãos públicos brasileiros apontam que mais de 60 mil pessoas morreram no antigo manicômio de Barbacena. O romance reflete sobre a memória e o silêncio enquanto acompanha Teresinha, uma mulher internada grávida e indefesa. A história tem desdobramentos emocionantes quando Bernardo, um homem que não se curva ao sistema, aparece nas linhas de prosa afiada de detalhes.
Para a Associação Portugal Brasil 200 anos, este livro reafirma a cultura como instrumento de cidadania, consciência e travessia entre as duas margens da língua portuguesa. Quando um autor português escolhe revisitar uma ferida brasileira com seriedade moral, a literatura deixa de apenas narrar o passado e volta a cumprir uma função maior: impedir que o esquecimento vença.

