cultura. 1 R$ investido retorna 7 vezes
Um estudo da Fundação Getulio Vargas revela que cada R$ 1 investido por meio da Lei Rouanet gera R$ 7,59 para a economia brasileira, reforçando o papel estratégico da cultura como vetor de desenvolvimento, emprego e circulação de valor simbólico e material
O dado, divulgado pela Fundação Getulio Vargas, desmonta de forma objetiva um preconceito recorrente: o de que o investimento público em cultura seria apenas despesa. Ao contrário, a pesquisa mostra que os recursos aplicados via Lei Rouanet irradiam efeitos diretos e indiretos sobre cadeias produtivas inteiras — do audiovisual às artes performativas, da indústria editorial ao turismo cultural. Cada projeto financiado ativa serviços, mobiliza profissionais, fomenta inovação e gera arrecadação fiscal, criando um ciclo virtuoso que ultrapassa largamente o setor cultural stricto sensu.
Há, contudo, um ponto ainda mais estrutural neste resultado. Num mundo em que os ativos intangíveis — reputação, narrativa, identidade e confiança — pesam tanto quanto infraestruturas físicas, a cultura funciona como plataforma. E, no espaço lusófono, essa plataforma tem nome: língua portuguesa. Investir em cultura é investir num território comum que permite circulação de ideias, bens simbólicos e projetos económicos entre países, regiões e comunidades. A cultura cria linguagem compartilhada, reduz fricções e abre portas para negócios que não nascem apenas de contratos, mas de pertença.
O estudo da FGV confirma, portanto, algo que a experiência internacional já vinha demonstrando: políticas culturais bem desenhadas não são ornamento, são estratégia. Elas reforçam a economia criativa, qualificam a imagem do país no exterior e consolidam a língua como espaço de cidadania económica e cultural. Quando a cultura cresce, a economia acompanha — e a sociedade inteira colhe os dividendos.

